Corria para o sítio mais longínquo que conhecia, sem nunca parar para tomar fôlego, como se estivesse a fugir de alguém, quando só estava fugindo dos meus problemas e de mim mesma. Corria, de modo a tentar libertar o sufoco que sentia, mas ele perseguiu-me em cada esquina, em cada palavra que estremecia ao proferir, em cada coisa que pensei.
Pensei, que se virasse as costas aos problemas que não precisaria enfrentá-los mais tarde. Enganei-me. Virar-lhes costas é como desistir de mim, muitas vezes. Ou quase sempre.
Parei, ao encontrar o miradouro para onde tantas vezes, em tantas madrugadas e tardes, corria para libertar-me do peso, das mágoas, da desilusão que era olhar no espelho e ver tudo desmoronar debaixo dos meus pés, sem que eu tivesse força ou até vontade de fazer alguma coisa para parar a destruição. Encontrar soluções sempre foi uma missão impossível para mim, porque por mais que tentasse, nada dava certo. E eu cansei-me de tentar em vão, de pensar em várias soluções e nenhuma servir para mim.
No fundo, só queria ter um motivo para não sobrecarregar tanto as minhas próprias costas, com a culpa que sinto por não poder fazer mais do que faço. Queria poder fazer algo por mim, mas que desse certo, para poder sentir-me melhor, mas sempre que tento só faço/fico pior.
Não há mal que dure para sempre, nem dor que prevaleça infinitamente, porém já perdi a esperança. Isto não pode ser de todo verdade, porque se assim fosse, já teria parado de sentir o peito sangrar, de estar sempre tudo mal na minha vida, já conseguiria finalmente estar bem. Já nem o ar puro me dá forças de continuar a lutar por algo incerto, que pode nem dar certo. Sentei-me, derrotada. Talvez o melhor, desta vez, seja desistir. (Como sempre faço.)