Diziam-me sempre que o melhor efeito para esquecer, era beber. Bebi tanto, mas tanto, que me embebedei de ti. Relembrei todas as ocasiões em que me seguraste a mão, em que me sorrias alegre, em que murmuravas o quanto era irritante, cada beijo e abraço.
A despedida custa. Beber custa. Beber custa porque a ressaca não é a pior das consequências do álcool. A pior consequência é não esquecermos absolutamente nada. Revivemos todos os momentos, com ainda mais força, uma e outra vez, torturando a nossa mente desfocada.
Afoguei-me de todos os momentos que passamos juntos e chorei, na berma da estrada agarrada a mais uma garrafa de cerveja. Chorava baixinho, para que o meu subconsciente não me fosse maltratar por estar a pensar em ti, mais uma vez. Sempre rondas a minha mente e não há nada que possa fazer para tirar-te dela. Parece um pensamento automático, que dói mais um pouco, a cada dia.
Estando completamente consumida pelo álcool, a vontade de ligar-te cresceu de tal forma que tive coragem para fazê-lo. Liguei-te de madrugada. Não atendeste e fiquei ainda mais destroçada. Depois de tanto sofrimento e tanto tempo após a tua ida, deves-me ter achado iludida. Afinal, ainda continuo a ter-te cá dentro e nada mudou, quanto a esse aspecto.
O que fiz nessa noite foi o que sempre esperei até agora que me fizesses. Que te embebedasses numa dessas noites em que sais e te divertes, que me ligasses e dissesses que sentias a minha falta (como eu sinto a tua). Isso não aconteceu. O pior dos términos, as pessoas não contam. Acreditam confiadamente que será como nos filmes. Não vai. Os ex’s não ligam, não pedem desculpas e muito menos se arrependem do que fizeram. Isso são tudo ilusões e as otárias somos nós, por acreditarmos em porcarias como essas. É, o amor torna-nos estúpidas, bêbedas e isentas de esperanças de dias melhores.
Cheguei à conclusão que se quiser me lembrar com mais clareza, só preciso de beber mais um pouco as saudades que tenho de ti.