Marcas do passado [parte 1/5]


Na altura em que era criança, gostava imenso de brincar de pique e me esconder por entre as árvores da praça. Essa brincadeira me rendia machucados que ardiam bastante e outros nem tanto. Mas a melhor das coisas se era, sem dúvida, o colo materno o qual eu repousava para poder me acalmar do choro e ali eu sabia que em algum momento tudo iria acabar bem.

Infelizmente, eu, por vezes, emaranhava-me por entre os contos de fadas e acabava por acreditar que minha vida se encaminharia totalmente na linha ténue da felicidade. Com o passar dos anos, descobri que a vida estava bem longe disso.

No princípio, a minha vida começou a correr como um ramo de rosas brancas: bonitas, límpidas e claras. Eu achava que meus pais eram felizes estando juntos e que eu tinha uma família perfeita.

Dantes eu me achava parva por pensar desse jeito, na actualidade, percebo que era apenas uma criança talvez tola e de certo sonhadora.

Veio-me como um trovão a rasgar o céu a primeira mancha vermelha fazer-se presente em meu pequeno jardim de rosas brancas. Pouco a pouco, eu fui tornando-me vermelha e foi a partir dai que me apercebi de que encantamentos também não duram tanto na vida real.

Se chorar lágrimas de sangue significa que nossa alma está  a se desfazer em pequenos cacos de porcelana logo chorar lágrimas límpidas e cristalinas significa que estamos a nos limpar de algumas mazelas.

Não digo que toda a minha infância foi destruída porém uma grande parcela dela sim. Hoje em dia, restou-me o medo e a esperança de que em um momento propício hei de ser eu inteiramente outra vez.


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