em tão pouco tempo


Custa-me saber que, em tão pouco tempo, fomos tudo e nada. Pergunto-me os motivos da mudança, do porquê de termos ficado desta forma, se avançamos cedo demais ou se simplesmente não fomos feitos para estar juntos.

Há um nó na minha garganta desde que viraste-me as costas. Não consigo dormir uma noite tranquila (porque sempre tenho pesadelos contigo) e adormecer tornou-se praticamente impossível, pois só me lembro de ti e de tudo o que fomos e deixamos de ser. Não consigo comer, sorrir, muito menos gargalhar. Eras tu o motivo de tudo e nunca me ensinaste, neste curto espaço de tempo, a viver sem ti, a não precisar de ti para me fazeres sorrir.

Continuo sem reação e não sei bem se ainda restará forças para erguer-me para mais um dia. Nem sei se me quero levantar e enfrentar mais um, sem saber de ti. A verdade é que estou destruída. Completamente vazia, enquanto tudo ainda pulsa por ti, ainda espero ver-te na porta, a entrares de sorriso posto no rosto.

Não sei até que ponto conseguirei aguentar estar aqui deitada, sem nem tentar levantar-me e ir à tua procura (porque é o que mais quero e não sei se te encontraria numa dessas esquinas do bairro), sem comer, falar ou até trabalhar. Deste-me tudo e tiraste, em tão pouco tempo.

Não sei porque raio o meu coração ainda bate, nem sei para onde foi a coragem de terminar tudo, agora e já, para parar este sofrimento e ir para um lugar que espero, verdadeiramente, que seja melhor que este.

Em tão pouco tempo, foste a minha salvação e a minha destruição. Tu sempre soubeste que este era o caminho, o desfecho. Ainda assim, continuaste. Sempre foi isto que quiseste. Parece que conseguiste.


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