Somos o resultado dos nossos passados , das vezes que nos passamos da cabeça e de todas as pessoas que se passaram ao fresco. Ou apenas passaram por nós e nós passamos por elas (é mútuo).
Mas não é sobre águas passadas que quero falar hoje, é sobre o impacto que isso tem nas nossas vidas futuras. Viver no passado é inútil e no futuro só nos traz ansiedade, da qual queremos fugir a sete pés. Por isso, sobre o presente, que é literalmente um presente que abrimos e vem de surpresa, por vezes gostamos outras vezes não, mas sorrimos, aceitamos e seguimos em frente. Cavalo dado não se olha ao dente. Mas cabe-nos a nós contornar o presente, tentar construir e alinhar o caminho de piso firme e não de pedrinhas que aleijam os pés ao caminhar em frente. Não é por termos tropeçado no segundo degrau que vamos culpar todos os seguintes. Uma escada não faz a escadaria.
Cada caso é um caso, ou um acaso, bonito ou feio, mas não é por acaso que tropeçamos nele. Somos o resultado de todas as somas e subtrações da nossa vida. Mas não podemos fazer a conta antes de sabermos qual as operações temos que efetuar. Às vezes é a dividir que nos multiplicamos. Por isso, vamos encarar de frente, ouvir e respirar fundo, olhar nos olhos e perceber cada pessoa como uma pessoa e tratá-la na mesma ou maior medida que nos trata, porque é assim que vou saber, se é uma pessoa para ficar ou me passar ao fresco.
Não podemos viver garrados a um passado que já não é nosso, nem tentar consertar o passado dos outros. Apenas temos o presente nas mãos para reparar e temos duas decisões: carregar o passado que nos puxa para trás, ou libertar e andar mais leve em frente. Acontece, é a vida, todos seguimos caminhos, às vezes acabamos por nos cruzar, outras por nos afastar. Aceita, aceita que nada nem ninguém dura para sempre. E não é por teres sido feliz nesse lugar, que vais ser feliz para sempre. Às vezes é mesmo na partida que descobres que há mais felicidade lá fora. Permite-te ir em frente e deixar o que já só ocupa espaço, se não for leve, não leves para mais nenhum lugar.